
Nessa nossa vida moderna a gente convive com certas coisas que já estamos acostumados, por que foi nesse mundo que nós crescemos, e não damos a mínima, mas se você parar pra pensar, é o pior absurdo. Por exemplo, a vida em condomínio.
Pare pra pensar. É uma caixa alta e retangular, com vários compartimentos menores, onde pessoas que nunca se conheceram antes dividem um espaço separado apenas por uma parede.
Por uma questão de espaço e economia, essas tantas pessoas dividem o porteiro, a garagem, o corredor, o portão da frente, o elevador, o salão de festas, e outras tantas coisinhas, como por exemplo, suas vidas inteirinhas.
Por que, vamos falar de privacidade. Ela não existe na vida condominial. (eu já vi esse termo esdrúxulo numa circular no elevador, acredita? )Eu não posso acordar no sábado pra colocar o lixo pra fora, e sair no corredor com meu pijama rosa e toda descabelada, por que pode ter alguém no corredor e me flagrar nesse momento um tanto desconfortável.
Essa fina parede que ainda separa os vizinhos não é de muita serventia quando seus eles resolvem brigar, por exemplo. Meu vizinho do lado, eu conheço mais do que gente que eu vejo todo dia. Sei várias coisas, sei que ele é corinthiano. E barulhento. Sei que não vai com a cara da sogra (já escutei várias discussões sobre a véia.) Sei que chega depois das 7 (quando eu chego, a correspondência ainda tá no batente da porta, fora o barulho absurdo que a porta dele faz.) e várias outras minúscias da vida alheia. Mas não sei nome, sobrenome, daonde veio e por onde vai.
Me pergunto o que eu entrego nos meus pequenos hábitos.
Essa semana irei mudar de apartamento, pra um andar acima (ah, a vida do aluguel.) Meu vizinho do lado, se tornará o de baixo. Espero que ainda dê pra escutar quando for gol do timão mesmo quando eu não tiver afim de ver o jogo.
Curtas:
Ontem o blog completou um aninho de idade. Lindo, não? Eu nunca fiz um ano com blog antes. Por mais que eu blogue desde 2005. Enfim, obrigada pelas 2,165 visitas e pelos 106 comentários.
Ainda estamos no verão, certo? Temperatura atual em São Paulo: 17°. Nice.
Dica da Cinéfila: Assistam o filme que deveria ter concorrido e ganho todos os Oscars possíveis: Na Natureza Selvagem (Into The Wild). Sean Penn (roteirista, diretor e produtor) é um gênio. Se não der pra ver o filme, escutem a trilha de originais do Eddie Vedder. Tudo finíssimo.

7 comments
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Março 16, 2008 às 1:49 am
Marina
[Primeiraaa!]
First of All,
Meus parabéns pelo aniversário!! Um ano de maravilindos posts inspiradores, eu asseguro!!!
Como este, que aliás, por mais bizarro que pareça, me deu vontade de morar em condomínio de novo; Há 7 anos eu moro em casa, e nunca achei que eu fosse sentir vontade de escutar grito de “gol” do vizinho, ou quando, as 7 da manha no sabado ele tinha aula de violino (sim, essa era tamanha a minha sorte!)…Mas tenho!!
acho que é dessa “intimidade camuflada” que eu sinto falta…
Again and as always, great post!!
que mais vários anos de ótmos posts venham!!
=**
Março 16, 2008 às 3:22 am
Fabi
Junte todos os problemas de morar em condomínio que você já citou com o fato de ter um cachorro. Aí sua vida vira um inferno. hahahaha!
Já estou sentindo a pressão do outono chegando. A rinite já mostra seus sinais em meu nariz…
Parabéns pelo blog!!!! Que ele continue por muitos e muitos anos!!!!
Beijos!
Março 17, 2008 às 12:52 am
Bruh
Eu moro numa vila. Não existe privacidade alguma. Sabem tudo sobre você. A distância entre uma casa e outra é ínfima.
Vez ou outra me pergunto isso tamém. Temos que dividir minúsculos espaços apetados, espremidos. A troco de que?
Queria morar na roça… hahaha
Março 17, 2008 às 8:02 pm
Léo
AAAh, mas às vezes também temos a infelicidade de conhecer os vizinhos. Exatamente como acontece com a Bruh, acontece aqui. Apesar de não compartilharmos paredes, vizinhos sabem de tudo.
E, fora que temos que cumprimentar. Odeio cumprimentar quem num tenho contato pessoal.
Queria morar num lugar onde nao conhecesse ninguém!!! HAHA
beijão
Março 19, 2008 às 2:24 pm
Bru
Esse negócio que se mora junto da pessoa e nem conheçe, nem fala com ela direito é bem real.
Morei uns 12 anos em um apartamento e não sabia o nome de várias pessoas. Encontrava elas no elevador e muitas vezes nem um ‘bom dia’ rolava. E aí fica aquele desconforto…
Hoje moro em um condomínio fechado de casas e acho que é bem melhor porque você não convive tão diretamente com as pessoas, mesmo meu condomínio sendo pequeno.
Curti seu blog
parabéns pelo aniversário de 1 ano!
beijos
Março 19, 2008 às 9:30 pm
Márcio
Normal, ninguém é uma ilha. Até em Náufrago o Tom Hanks tinha o Wilson, que via tudo o que ele fazia.
“Porminúscias”?
Ah, como pode deduzir pela minha presença aqui, postei, atendendo a pedido. Um só.
Março 24, 2008 às 1:03 am
mariathereza
vida em “pombal” não é bacana mesmo :/ tenho um amigo que mora num condomínio e já chegamos a escutar um casal “foguento” um dia em que eu estava lá hahahahah não deixou de ser engraçado!